
Semana FENAJ
A FENAJ, junto aos sindicatos e grupos estudantis começam a partir do dia 11/08, uma série de manifestações pela obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Esses eventos serão de nível nacional e nós, do D.A de Comunicação da Fanor, não ficaremos por fora, e já estamos promovendo, junto à coordenação de jornalismo, um debate acerca do assunto que é para lá de polêmico. Na mesa, teremos um representante do Sindicato de Jornalistas do Ceará (Sindjorce) e do outro lado um representante da Associação Cearense de Imprensa (ACI). O evento será no Auditório 2 das 19 às 21 horas.
Muito Além...
O fato é que essa discussão vai muito além do STF e dos veículos de comunicação. Sabemos o quanto a comunicação e a informação são importantes na modernidade e, desde que o diploma passou a ser obrigatório para o exercício da profissão o jornalismo entrou num completo estado de degradação. Os “profissionais” saem das faculdades se valendo em seus diplomas como chaves para as portas do mercado de trabalho. Com isso, as faculdades ficam privilegiadas, podendo desleixar cada vez mais do ensino do jornalismo.
Os atordoados formandos em jornalismo vão para o mercado munido apenas com seus dotes “técno-xamânicos” de pirâmides invertidas, texto com x caracteres, leads, enfim, esse aparato técnico que pouco acrescenta para a qualidade da informação. As universidades, como já citei, entrarão nesse estado de catarse, sem muito acrescentar ao curso, aliás, muito a retirar, se lembram do nosso querido professor Degas falando que Filosofia teria que desaparecer do curso?
O Terminal
As grandes empresas de comunicação certamente sairão ganhando. Não se manterão sob os olhares agudos dos sindicatos, e continuarão a desrespeitar o profissional que agora pouco terá que reivindicar. As redações continuarão preenchidas por economistas, contabilistas, psiquiatras, jogadores de futebol, administradores e etc... O que é complicado, principalmente para os recém formados. Será como no filme “O Terminal” o personagem interpretado por Tom Hanks se vê preso no aeroporto por que no momento seu país havia deixado, politicamente, de existir, ele não tinha mais território e ficaria preso até que houvesse um desfecho, processo que se arrastou por anos.
Ficaremos assim meus caros, perdidos em algum terminal, sem sabermos ao certo o que somos. Essa situação pode gerar o término dos cursos de jornalismo, principalmente nas universidades particulares, a demanda vai diminuir, os alunos vão migrar para outros cursos, restarão às instituições de ensino público manter o ensino do jornalismo ainda ofertado. O que pode ser até uma luz no fim do túnel, afinal, só os bons saberão sobreviver ao tornado.
Por uma informação de qualidade
O que fica claro é que devemos agir sobre uma ótica mais flexível, de alguma forma a relação tem de ser mais flexível. Existe uma má formação do jornalista, as universidades têm deixado cada vez mais explícito o seu descaso com o curso de jornalismo e comunicação como um todo. Os salários dos professores continuam baixos, o que dificulta trazer profissionais oriundos das redações e as matérias de humanas vão sendo extintas da grade o que gera uma formação profissional menos capacitada humanisticamente - preceito básico na formação do profissional de imprensa... Esses são apenas alguns dos pontos.
Outro problema é a relação dos sindicatos com essa questão, às vezes os sindicatos parecem mais preocupados com as diretrizes ditadas pelas centrais dos trabalhadores do que as questões realmente preocupantes no que se diz respeito à formação do jornalista e a relação imprensa e sociedade. Não se deve zelar apenas por contratos trabalhistas, pisos e tetos, isso é pra engenheiros, devemos TAMBÉM preocupar-nos com a qualidade da formação do profissional e os problemas enfrentados pela imprensa no Brasil.
Reforçando:
Quarta-Feira dia 13 de Agosto, das 19 as 21 horas teremos um debate acerca da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.
Alexandre Grecco
[D.A de Comunicação Social]
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